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A COP da Amazônia e seus muitos legados – Times Brasil

Por Redação Finance Times
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Os desafios geopolíticos marcam o início de 2025, o ano em que o Brasil sediará, pela primeira vez, uma conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática. A COP30, em Belém (PA), em novembro, ocorrerá em um mundo que já superou a marca de 1,5ºC da temperatura média global – e deve conter urgentemente um avanço ainda maior para manter viva a ambição do acordo de Paris.

Ao mesmo tempo, a partida dos Estados Unidos do Tratado Internacional sobre Mudanças Climáticas, a promessa de campanha do presidente Donald Trump imposta no primeiro dia de seu segundo mandato, exigirá um esforço muito maior de outros países signatários.

O cenário é desafiador, e é exatamente por isso que o Brasil tem a oportunidade de fazer história. Após a presidência do G20 em 2024, o país assumiu em 1º de janeiro da presidência do BRICS – um grupo formado hoje por 13 países em desenvolvimento – com a tarefa de realizar mais de 100 reuniões e organizar o cume de chefes de estado, com base nos tópicos de interesse do bloco. Assim, a influência exercida sob o G20, juntamente com a presidência do BRICS e da COP30, manterá o Brasil no epicentro do multilateralismo e da diplomacia global ao longo deste ano.

Como uma série de COP30, o Brasil já assume o papel de influenciar os países signatários do Acordo de Paris em relação a um novo ciclo de compromissos, que mantém vivos o objetivo de 1,5ºC e liderar as partes em direção a um documento final robusto que definitivamente coloca o mundo na rota de economia de carbono neutra com inclusão social. Além disso, a COP30 – também chamada de conferência da Amazon, como é realizada no bioma que abrange nove países da América do Sul – reforça a importância do evento como um catalisador de ações de desenvolvimento sustentável em todo o continente.

O embaixador André Corrêa do Anúncio de Lago como presidente da COP30 mostra que estamos em boas mãos. Com uma vasta experiência e repertório nas negociações climáticas, além da capacidade de articular vários interesses, o diplomata possui habilidades completas para facilitar a criação de consenso durante a COP30 e marcar a posição do Brasil como protagonista na agenda global. O desempenho do presidente da COP, como regra, determina o ritmo e a ambição das partes nas discussões e também influencia o envolvimento do setor de negócios nas conferências, expandindo a participação e a voz das empresas nas decisões de mudança climática e no desenvolvimento sustentável.

As empresas desempenham um papel fundamental no processo de sustentar a ambição do Acordo de Paris, na implementação de políticas públicas climáticas, no desenvolvimento de tecnologias de baixo carbono ou na alocação de investimentos para escalar projetos de energia renovável e restauração de ecossistemas. Mais do que definir metas internas de descarbonização, as empresas precisam internalizar a ambição climática por meio de planos de transição corporativos robustos alinhados à ciência.

A transição justa exigirá um esforço conjunto do setor de negócios, governos e sociedade civil. Hoje, apenas 13% dos compromissos climáticos dos países assinados no Acordo de Paris – contribuições determinadas nacionalmente, ou NDCs – incorporam o setor privado. É necessário reinventar essa realidade a partir da atualização dos NDCs, que devem ocorrer até fevereiro, de acordo com os processos da Convenção Climática da ONU. Assim, as discussões do COP30 ocorrerão em torno dos novos compromissos.

Confiança de resgate no multilateralismo, promovendo avanços tecnológicos de baixo carbono, alcançando consenso sobre o financiamento climático dos países em desenvolvimento e realizando a conferência com a maior diversidade na história dos policiais – dada a presença indispensável dos povos indígenas da Amazônia – são alguns dos desafios da COP30. Esta será uma oportunidade para o Brasil redefinir o caminho da diplomacia climática e a direção da economia global, de modo a promover o progresso concreto em direção a um modelo de desenvolvimento que preserva as condições de vida na Terra.

COP30: entre ritos e cargos, a missão de traduzir o beabá do clima  – Times Brasil
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