A eliminação das tarifas de 40% impostas pelos Estados Unidos em parte de As exportações brasileiras — especialmente carne bovina e café — eliminaram um risco imediato para os produtores e abriram espaço para a retomada dos embarques. Mas a decisão trouxe uma nova questão ao debate interno: O fim das tarifas poderá pressionar a inflação no Brasil?
Segundo os economistas, a resposta não é simples. Dependendo do ritmo das exportações e da capacidade de oferta interna, a medida poderá gerar efeitos opostos aos esperados: alívio para os produtores, mas pressão adicional sobre os preços dos alimentos.
A leitura inicial tende a ser positiva: a remoção das tarifas desbloqueia as vendas para um dos principais mercados do mundo e melhora a previsibilidade para os exportadores. Mas, como observa o economista André PerfeitoO Brasil já registrava forte crescimento nas vendas externas mesmo sob tarifas —o que muda o ponto de atenção.
As exportações já estavam acelerando – e este é o novo fator de pressão inflacionária
Perfeito lembra que, mesmo com as tarifas de 40% em vigor desde agosto, o Brasil aumentou as exportações de café em 16% em outubro, na comparação anual. No caso das carnes, o aumento foi ainda maior: 41% no período.
Ou seja: o gargalo imposto pelas tarifas já estava sendo superado por novos mercados, acordos diplomáticos e rotas alternativas abertas pelo setor privado.
Agora, com as barreiras removidas, a tendência natural é demanda ainda maior para produtos brasileiros. E esse movimento pode impactar diretamente nos preços internos:
“Já havíamos superado o gargalo das tarifas de Trump. Agora teremos que exportar ainda mais, e uma maior demanda poderá gerar efeitos indesejáveis nos preços. Quanto ainda é impossível prever”, diz André Perfeito.
O alerta é respaldado pelo comportamento recente do IPCA. Em 12 meses até outubro:
- Carnes ascender 12,24%
- Café ascender 15,54%
- Café instantâneo ascender 28,71%
- Café moído ascender 48,13%
- IPCA geral ascender 4,68%
Os itens mais influenciados pelas exportações já estão sob pressão, antes mesmo da suspensão das tarifas.
Para Perfect, o momento exige cautela:
“Tudo o que não precisamos agora é de um aumento nos preços da carne devido à procura acelerada.”
Varejo de boi: alívio externo, firmeza interna
O estrategista de inflação da Warren Investimentos, Andreia Ângeloconcorda que o setor da carne deverá registar um apoio aos preços a curto prazo, mesmo sem grandes choques.
“A retirada das tarifas deve ajudar a reduzir a pressão baixista que vimos no preço da carne bovina. Nossa projeção base para São Paulo é de R$ 320, e a medida tende a sustentar esse patamar.”
Ela lembra que as exportações permaneceram robustas mesmo durante as tarifas, ajudando a manter os valores no mercado interno. Portanto, vê impacto limitado no IPCA:
“O impacto na inflação deverá ser restrito. Continuamos com as projeções do IPCA em 4,3% para 2025 e 4,5% para 2026.”
Alimentação tende a subir no curto prazo
O especialista em finanças e tributação Adriana Melo reforça que a suspensão das tarifas torna as exportações mais atrativas — e isso pressiona a inflação alimentar:
“Sim, há pressão ascendente. A suspensão das tarifas reduz a oferta interna e tende a aumentar os preços da carne, do café e das frutas. Não é um choque inflacionário, mas acrescenta ruído.”
A análise vai ao encontro do alerta de Perfeito: a expectativa é de aceleração da demanda internacional, o que retira parte da produção à disposição do consumidor brasileiro.
E a taxa de câmbio pode ajudar?
Perfeito lembra que, em tese, maiores exportações tendem a fortalecer o real. Um câmbio mais apreciado ajuda a desacelerar a inflação. Mas o economista faz uma advertência importante:
“Não é o real que está forte, é o dólar que está fraco. E depender de Trump para equilibrar a balança é uma aposta arriscada.”
Por outras palavras: mesmo que a taxa de câmbio tenha algum efeito desinflacionista no curto prazo, não é garantido – e não compensa necessariamente o efeito da redução na oferta interna de alimentos.
Pressão inflacionária discreta, mas presente
O quadro geral, segundo os economistas, pode ser resumido da seguinte forma:
- Impacto forte ou estrutural? Não.
- Pressão adicional de curto prazo sobre os alimentos? Sim.
- Risco maior nas carnes e no café, que já ultrapassam o IPCA? Sim.
- Mudança nas projeções de inflação? Não por enquanto.
O Brasil recupera espaço no mercado americano, abre possibilidade de novas negociações e melhora a competitividade de importantes cadeias produtivas. Mas, no curto prazo, isso poderá custar algum desconforto nos preços internos, exigindo monitoramento por parte do Banco Central.
Como resume André Perfeito:
“Mais um problema na mesa do Banco Central.”
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