O veto do governo federal ao artigo 1º-A da MP 1.304 — trecho que criou mecanismo de compensação financeira para usinas solares e eólicas afetadas por cortes de geração (curtailment) — gerada forte reação entre empresas e entidades do sector das energias renováveis. O dispositivo foi incluído no texto aprovado pelo Congresso, mas foi retirado da versão sancionada pelo Executivo.
Setor fala sobre risco regulatório e incerteza para novos projetos
Elbia Gannoum, presidente da Abeeólica, afirma que o veto gerou preocupação imediata entre os geradores de energia eólica. Segundo ela, mais de 70% dos empreendimentos da indústria foram vendidos no Ambiente de Contratação Regulada (ACR) e continuam sujeitos a cortes de geração que reduzem a receita contratada, sem mecanismo de compensação.
Gannoum destaca que o setor tem agora um “passado incompleto e um futuro incerto”. A avaliação é que o veto impede que o Ministério de Minas e Energia regulamente a classificação dos cortes —separando o que é corte elétrico e o que é corte de energia—elemento considerado essencial para projetos já em operação e para novos contratos.
Para a Abeeólica, a ausência deste instrumento compromete o retorno esperado pelos investidores e cria incerteza sobre a sustentabilidade financeira dos projetos em operação.
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ABSOLAR vê risco de fuga de investimentos
A ABSOLAR também criticou o veto. Para a entidade, a retirada do artigo 1º-A transfere os custos dos cortes para as usinas renováveis, embora o corte seja feito em benefício do sistema elétrico. A associação alega que isto viola condições em vigor quando os projectos foram contratados e afecta directamente a credibilidade regulatória do sector.
Segundo a entidade, o veto pode levar ao cancelamento de novos projetos, devolução de outorgas, dificuldades na renegociação de dívidas com bancos e queda no ritmo de expansão da energia solar centralizada no país.
A associação destaca ainda que estudos apresentados ao Congresso mostraram que o mecanismo de compensação não pressionaria as tarifas, uma vez que os recursos disponíveis no Fundo de Reserva de Capacidade superam os custos dos cortes.
Reação da indústria e expectativas sobre a derrubada do veto
A Atlas Renewable Energy, uma das maiores geradoras de energia renovável da América Latina, classificou o veto como um obstáculo à expansão da matriz limpa. A empresa reforçou que o dispositivo vetado foi considerado essencial para mitigar impactos financeiros e dar previsibilidade regulatória ao setor.
A empresa afirma que o cerceamento se tornou um dos principais entraves à expansão da energia solar e eólica no país, uma vez que documentos de acesso e contratos anteriores não previam essas restrições.
Os geradores esperam agora que o Congresso analise a possibilidade de derrubar o veto.
Especialistas apontam outro veto relevante à MP 1.304
O advogado Alexandre Leite, sócio da área de energia do Dias Carneiro Advogados, afirma que a MP 1.304 avançou na modernização de parte do setor elétrico, mas trouxe mais de 20 vetos que afetam temas delicados.
Entre os pontos ele destacou:
- Corte de geração (redução): veto ao reembolso de energia eólica e solar, consideradas as mais impactantes para investimentos.
- Autoprodução: veto à norma que restringia novos projetos no regime, que hoje é fundamental para viabilizar os investimentos.
- Acesso à rede: veto a procedimentos competitivos em áreas sem conexão, o que poderia organizar a fila de projetos.
- Comerciantes: vetar a obrigação de destinar receita líquida a programas de eficiência energética.
- Regras para petróleo e gás: vetar alterações na base de cálculo do preço de referência, identificado pelo governo como potencial fonte de insegurança jurídica.
Próximas etapas
Associações e empresas do setor deverão trabalhar nas próximas semanas com o Congresso para tentar reverter o veto na análise dos parlamentares. O debate ocorre em um momento de forte expansão das fontes renováveis, que enfrentam limites de vazão e maior cerceamento em diversas regiões do país.
A ausência de mecanismo de compensação pressiona o fluxo de caixa das usinas e aumenta a atenção sobre novas regras de armazenamento e leilões de capacidade previstos para 2026.
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