Com o último trimestre de 2025 em andamento, muitas empresas estão em processo de finalização ou revisão de seus orçamentos para 2026. Este ciclo orçamentário, porém, traz um novo desafio: a entrada em vigor das novas regras trazidas pela Reforma Tributária, que mudará a estrutura tributária brasileira a partir de janeiro.
Entre as principais mudanças estão a substituição do PIS, Cofins, ICMS e ISS (além das alterações IPI) pelo novo Imposto sobre Valor Agregado (CUBA) no modelo dual – um CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de competência federal, e o SII (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), de competência estadual e municipal — e a mudança na lógica de cálculo de créditos e dívidas.
O novo sistema visa simplificar, mas exige que as empresas reestruturem profundamente os seus modelos de preços, projeções de custos, fluxo de caixa e estratégias fiscais.
De acordo com Andressa Sehn da Costa, advogada tributária, os efeitos da reforma deverão começar a ser sentidos no primeiro trimestre de 2026, quando as empresas terão que operar em regime de transição híbrido, ainda convivendo com as regras antigas enquanto se adaptam às novas.
“O IBS e o CBS começarão, ainda que em fase de testes e com alíquotas reduzidas, a serem aplicados em janeiro de 2026. Isso significa que muitas empresas terão que lidar com um duplo sistema de cálculo, além de enfrentarem desafios como a mudança no sistema de crédito, o fim da atividade cumulativa em setores historicamente tributados dessa forma, e a exclusão de benefícios fiscais que impactaram diretamente na rentabilidade de determinados modelos de negócios”, explica o tributarista.
Segundo o especialista, o orçamento de 2026 precisa deixar de ser uma simples projeção numérica e se tornar uma ferramenta de gestão de riscos fiscais. A capacidade de simular cenários e recalibrar estratégias ao longo do ano será essencial para evitar desequilíbrios financeiros e mitigar futuras obrigações fiscais.
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Outro ponto de atenção, segundo o advogado, é a infraestrutura tecnológica e o cumprimento fiscal. A nova legislação exigirá maior detalhe e rastreabilidade das operações, impactando a forma como as empresas recolhem, auditam e reportam as suas informações fiscais.
“As empresas que ainda operam com processos manuais ou fragmentados terão mais dificuldade de adaptação às exigências do novo sistema, o que pode representar não só riscos fiscais, mas também perda de competitividade num cenário de maior transparência e fiscalização”, acrescenta.
Assim, além de rever pressupostos contabilísticos e operacionais, o orçamento para 2026 deve incluir investimentos em tecnologia, formação de equipas e consultorias especializadas, medidas que se revelam indispensáveis dada a complexidade da reforma.
“A Reforma Tributária não é apenas uma mudança jurídica. É um convite a uma profunda transformação da gestão empresarial. Ao ignorar esta realidade, os empresários podem comprometer não só o orçamento de 2026, mas a própria sustentabilidade e competitividade da sua empresa no futuro”, conclui.
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