A Moody’s manteve o rating soberano do Brasil em nível estável, eliminando o risco de rebaixamento no curto prazo, mas deixando o país ainda a um passo do grau de investimento.
O Times Brasil – Licenciamento Exclusivo CNBC entrevistou Hulisses Dias, especialista em finanças e sócio da Beginity Capital, o movimento reflete principalmente o aumento dos gastos públicos acima do limite fiscal, a persistência de altas taxas de juros e pressões inflacionárias que impedem uma melhora nas perspectivas de crédito.
Dias explica que a revisão da agência confirma a perda de tração observada desde a última análise, quando o Brasil passou de uma perspectiva positiva para uma estável. Para ele, a manutenção do rating já é uma “boa notícia”, mas insuficiente diante do cenário internacional mais favorável, com bolsas renovando máximas e flexibilização monetária nos Estados Unidos.
A avaliação da Moody’s apontou também que, embora o país tenha demonstrado resiliência às tensões comerciais causadas pelas tarifas de Donald Trump, a combinação de inflação elevada e taxas de juro elevadas limita o progresso económico. “O Banco Central está tentando esfriar a economia para levar a inflação para o centro da meta, enquanto o governo continua gastando cada vez mais”, afirmou. Segundo ele, o desalinhamento entre a política fiscal e monetária cria um cenário de ineficiência que adia o retorno ao grau de investimento.
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Dias destaca ainda que a dívida pública — atualmente perto de R$ 9 trilhões — cresce mais de R$ 1 trilhão por ano apenas devido ao custo dos juros, dificultando o acesso do país a um crédito mais barato. Ele destaca ainda que, em ano eleitoral, a tendência é de expansão dos gastos sociais, o que deveria sustentar a atividade econômica no curto prazo, mas compromete o ajuste fiscal necessário para melhorar a classificação.
Mesmo com esse diagnóstico, o especialista lembra que o mercado de ações continua com forte desempenho. A Bolsa ultrapassou os 159 mil pontos, impulsionada por grandes empresas com capacidade de captar recursos a custos menores que o próprio país. “Estas empresas têm uma dinâmica completamente desligada da economia real. Ao mesmo tempo que batem recordes, as pequenas empresas – que apoiam a empregabilidade – sofrem com taxas de juro elevadas e ineficiências”, explicou.
Para Dias, esse distanciamento é global e observado também nos Estados Unidos, onde a concentração das maiores empresas domina o desempenho dos índices. Ele reforça que, portanto, os investidores precisam diferenciar a economia real do mercado financeiro para não interpretarem mal a alta do mercado acionário diante do cenário macro.
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