A Operação Poço de Lobato tornou-se um marco no combate aos principais esquemas de evasão fiscal, branqueamento de capitais e evasão monetária no país. A ação teve como alvo um dos maiores devedores contumaz do Brasil, o grupo Refit, e se destacou pela capacidade de afetar a estrutura financeira do grupo sob investigação, e não apenas suas ramificações operacionais.
Segundo Robson Barreirinhos, secretário especial da Receita Federal, que esteve presente na coletiva de imprensa do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o caso ilustra um novo patamar de articulação institucional.
Barreirinhos descreveu o grupo investigado como uma organização que gerou mais de R$ 70 bilhões em um ano de operação e acumulou mais de R$ 26 bilhões em dívidas com o Estado. “Estamos lidando com um dos maiores devedores contumaz do Brasil”, afirmou. O esquema envolveu mais de 15 empresas offshore nos Estados Unidos e a utilização de cerca de 50 fundos de investimento para ocultar o beneficiário final.
As investigações indicam que o grupo utilizou empresas offshore, empresas seriais e operações interestaduais para mascarar o pagamento de impostos. A estratégia incluiu constantes mudanças de endereço, alterações de CNPJs e sucessões empresariais planejadas para diluir responsabilidades. Ao mesmo tempo, houve um elevado volume de operações comerciais, o que manteve a aparência de normalidade e dificultou ações imediatas de fiscalização.
Por que a operação funcionou?
O secretário destacou que o sucesso de Poço de Lobato está directamente ligado à cooperação institucional e à agilidade na troca de informações. Pela primeira vez em anos, uma grande apreensão conduzida pelo IRS – envolvendo cinco navios cheios de produtos petrolíferos – não foi bloqueada por liminares. “Isso aconteceu pela forma como estamos atuando: com transparência, cooperação e rapidez no envio de informações ao Judiciário”, explicou.
O tamanho do caso reforça a relevância da operação. “O que esse grupo não conseguiu arrecadar do estado do Rio de Janeiro equivale a todo o orçamento da polícia estadual”, disse Barreirinhos. A avaliação é que o combate ao crime não pode focar apenas na ponta, mas nas engrenagens financeiras que sustentam as grandes organizações criminosas.
A operação reuniu uma coordenação inusitada entre as esferas municipal, estadual e federal. Participou:
Órgãos estaduais e municipais
- Ministério Público de São Paulo (MP/SP)
- Secretaria de Fazenda e Planejamento de São Paulo (Sefaz/SP)
- Secretaria Municipal de Fazenda de São Paulo (SMF)
- Procuradoria-Geral da República do Estado de São Paulo (PGE/SP)
- Procuradoria do Município de São Paulo (PGM/SP)
Agências federais
- Receita Federal do Brasil (RFB)
- Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN)
- Polícia Federal (PF) — citada na parte de desdobramentos
Instituições financeiras e fintechs — mencionadas no contexto regulatório - Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA)
- Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) — recebe relatórios de operações suspeitas.
- Ministério das Finanças — coordena as políticas fiscais e a supervisão das autoridades locais.
- Ministério da Justiça — articulação do FP e acordos internacionais.
- Banco Central do Brasil (BCB) — fiscaliza operações financeiras, fintechs e movimentações suspeitas.
Forças de segurança
- Polícia Civil
- Polícia militar
Barreirinhos destacou que a PF também acompanha a evolução, principalmente em lavagem de dinheiro e evasão cambial. Há até transferência de auditores fiscais para a força-tarefa instalada no Rio de Janeiro.
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Mudanças regulatórias foram decisivas
Nos últimos meses, a Receita Federal atualizou relatórios essenciais para inteligência tributária: operações com criptoativos, identificação de beneficiários finais, fundos de investimento e dados de instituições financeiras e fintechs. “Alinhamos estes relatórios com o padrão internacional da OCDE”, disse ele. Este avanço permitiu rastrear com a mesma precisão estruturas complexas e transnacionais que antes não eram detectadas.
Para Barreirinhos, Poço de Lobato simboliza o cerco às organizações que operam no topo da cadeia económica. “Estamos nos aproximando daqueles que, lá de cima — na Faria Lima, de suas mansões em Miami ou na Europa — minam a segurança pública no Brasil”, declarou. Ele reforça que o modelo de atuação conjunta “veio para ficar” e será ampliado.
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