A Nexperia fez um apelo público à sua unidade na China para retomar as operações de exportação e restabelecer os fluxos da cadeia de abastecimento. A fabricante divulgou carta aberta afirmando que clientes de diversos setores relatam risco de “paradas iminentes” na produção.
Segundo a empresa, a carta foi publicada após repetidas tentativas de contato direto com a operação chinesa, que, segundo o comunicado, não respondeu de forma eficaz.
Pressão pública e resposta pendente
No texto, a Nexperia afirma ter recebido sinais positivos das autoridades chinesas sobre o compromisso de facilitar a retomada das exportações da unidade local e seus subcontratados. Apesar disso, afirma que as indústrias continuam a reportar o risco de interrupção das linhas de produção e pede que a liderança das operações na China restabeleça os fluxos estabelecidos “sem demora”.
A controladora chinesa Wingtech, proprietária da Nexperia desde 2019, não respondeu aos pedidos de comentários feitos por CNBC.
A Nexperia é responsável por bilhões de “chips críticos”, como transistores, diodos e componentes de gerenciamento de energia. São fabricados na Europa, enviados para montagem e testes na China e depois reexportados para clientes globais. Embora de baixo custo, esses componentes são usados em praticamente qualquer equipamento elétrico – desde sistemas automotivos até dispositivos domésticos.
Como o impasse começou
A crise começou em Setembro, quando o governo holandês invocou uma lei da Guerra Fria e assumiu o controlo temporário da Nexperia por razões de segurança. A medida teria ocorrido após alertas dos EUA.
A reação de Pequim veio com a retenção dos produtos da empresa dentro da China, gerando preocupação imediata no setor automotivo.
Na semana passada, o governo holandês anunciou a suspensão da intervenção na sequência de negociações com as autoridades chinesas, o que foi visto como um possível caminho para a normalização da cadeia de abastecimento. Mesmo assim, as empresas continuam a reportar incerteza.
Montadoras permanecem em alerta
Rico Luman, economista sênior de transporte e logística do ING, afirma que o cenário ainda está indefinido. Segundo ele, além do fluxo de chips prontos, também é afetado o fornecimento de wafers — matéria-prima — enviados da Europa para a China. A Nissan e a alemã Bosch estão entre as empresas que alertaram para uma possível escassez.
A Associação Alemã da Indústria Automotiva (VDA), que representa Volkswagen, Mercedes-Benz e BMW, disse à CNBC que persiste um alto risco de fornecimento, especialmente no primeiro trimestre de 2026. Segundo a entidade, a produção foi mantida por meio de ajustes internos, mas a incerteza sobre a disponibilidade dos componentes Nexperia continua.
Luman compara a situação às restrições chinesas às exportações de terras raras. Ele afirma que os fabricantes europeus continuam dependentes do fluxo proveniente da China e que ainda não está claro quais clientes terão acesso prioritário ou garantido aos chips.
Leia também:
Holanda suspende intervenção na Nexperia chinesa e permite exportação de chips; medida causa alívio na indústria automotiva
CME interrompe negociação de futuros devido a falha no data center
Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Céu | Canal 592 ao vivo | Canal 187 Olá | Operadores regionais
TV SINAL ABERTO: antena parabólica canal 562
ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
Canais RÁPIDOS: Samsung TV Plus, canais LG, canais TCL, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos fluxos
Este conteúdo foi fornecido por CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.