A pressão por medicamentos mais acessíveis nos EUA transformou a política de preços num dos temas centrais para o setor farmacêutico em 2025. Enquanto o presidente Donald Trump tenta reduzir custos para os consumidores americanos, as empresas enfrentam simultaneamente as exigências da Lei de Redução da Inflação, aprovada pela administração Biden, que permite negociações diretas de preços por parte do Medicare.
Embora as mudanças ocorram nos EUA, o impacto espalha-se pela Europa, uma vez que as grandes empresas farmacêuticas dependem fortemente do mercado americano – o mais rentável do mundo para medicamentos de marca.
Várias empresas europeias anunciaram novos investimentos nos EUA para aliviar as tensões com Trump e evitar riscos tarifários. A AstraZeneca, por exemplo, está a preparar-se para uma listagem direta na Bolsa de Valores de Nova Iorque, procurando acesso a capital mais profundo. A Novo Nordisk, por sua vez, citou a complexidade do mercado americano como um dos fatores que levaram às recentes mudanças na liderança sênior.
Descontos anunciados pelo Medicare
Na noite da última terça-feira (25), o CMS revelou os preços negociados de 15 medicamentos de alta prescrição, válidos a partir de 2027. Entre eles:
- Ozempic (Novo Nordisk): 71% de desconto sobre o preço original.
- Calquence (AstraZeneca): redução de 40%.
- Trelegy e Breo (GSK): cortes de 73% e 83%, respectivamente.
No total, os descontos variam de 38% a 85%, com economias esperadas de US$ 8,5 bilhões — cerca de 36% abaixo dos gastos recentes.
Chris Klomp, vice-administrador do CMS, disse que os novos valores representam “negociações sérias, justas e disciplinadas”, seja por parte do IRA ou da política da Nação Mais Favorecida defendida por Trump.
A GSK disse estar satisfeita com o acordo. A Novo Nordisk criticou a medida, alegando que “a fixação de preços pelo governo não se traduz em custos mais baixos para os pacientes e pode até resultar em perda de cobertura e prémios mais elevados”.
Por que as empresas europeias dependem tanto do mercado americano
Os EUA são o principal destino de vendas de muitos laboratórios globais:
- 56% da receita da Novo entre janeiro e setembro veio dos EUA;
- 42% das receitas da AstraZeneca vieram do país;
- A GSK realizou cerca de 52% de suas vendas no mercado americano.
Um estudo da RAND de 2024 descobriu que os medicamentos prescritos são, em média, três vezes mais caros nos EUA do que em outros países desenvolvidos.
Apesar dos grandes descontos, os analistas dizem que os cortes estavam em grande parte no radar. As ações da AstraZeneca e GSK subiram menos de 1% após o anúncio. As ações da Novo avançaram 4,7% no dia.
A partir de 2027, a semaglutida (Ozempic/Wegovy) custará US$ 274 para beneficiários do Medicare – contra um preço de tabela de US$ 959. Os planos de saúde, no entanto, já recebem descontos significativos que normalmente não são divulgados.
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A lista dos 15 medicamentos que serão negociados para 2028 será publicada até 1º de fevereiro de 2026.
O fator Trump: o medo da NMF
Segundo analistas, o maior risco não está no IRA, mas nas políticas de Trump. Em maio, o presidente assinou uma ordem executiva para aplicar o princípio da Nação Mais Favorecida, que vincula os preços americanos aos menores valores praticados no exterior.
Este mecanismo tem o potencial de alterar abruptamente as margens das empresas farmacêuticas — especialmente as europeias.
Para mitigar os riscos, as empresas chegaram a acordos com a administração Trump, oferecendo reduções voluntárias de preços e investindo em fábricas nos EUA para escapar às tarifas.
Medicamentos para obesidade em foco
No início de novembro, Trump anunciou acordos com a Novo Nordisk e a rival Eli Lilly para reduzir drasticamente os custos da Wegovy e da Zepbound para Medicare e Medicaid:
- Doses iniciais: US$ 350/mês
- Redução gradual para US$ 245/mês ao longo de dois anos
Os analistas da BMO dizem que, embora a redução dos preços vá pesar nas receitas, o aumento do acesso poderá expandir significativamente o volume de vendas – especialmente no mercado da obesidade, o que tende a compensar algumas das perdas.
Na semana passada, a Novo também reduziu os preços para consumidores privados, de 499 dólares para 349 dólares por mês, após pressão direta de Trump.
Outras empresas, como AstraZeneca e Pfizer, também assinaram acordos próprios.
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