As negociações de preços lideradas pelo Medicare nos Estados Unidos estão a remodelar o mercado global de medicamentos e a exercer pressão directa sobre os gigantes farmacêuticos europeus. A partir de 2027, 15 medicamentos terão reduções de 38% a 85%, incluindo produtos de empresas como Novo Nordisk, AstraZeneca e GSK.
Os valores têm impacto imediato na estratégia comercial destas farmacêuticas, muitas das quais dependem do mercado americano, onde os preços dos medicamentos são, em média, três vezes superiores aos de outros países desenvolvidos, segundo um estudo da RAND.
O movimento ocorre em meio a uma agenda dupla: de um lado, a Lei de Redução da Inflação (IRA), aprovada pela administração Biden, que autorizou os Centros de Serviços Medicare e Medicaid (CMS) a negociar preços do Medicare. Por outro lado, a pressão do Presidente Donald Trump, que fez da redução dos custos dos medicamentos uma prioridade e está a tentar implementar a política da “Nação Mais Favorecida”, que vincularia os preços dos EUA aos preços mais baixos pagos noutros países.
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O novo pacote de preços negociados incluiu reduções significativas:
Ozempic (Novo Nordisk): 71% de desconto
O principal medicamento da farmacêutica dinamarquesa, que também fabrica o Wegovy, será vendido por 274 dólares aos pacientes do Medicare, bem abaixo do preço de tabela de 959 dólares.
Calquence (AstraZeneca): 40% de desconto
Trelegy e Breo (GSK): 73% e 83% de desconto, respectivamente.
No total, o governo estima que as mudanças irão gerar poupanças de 8,5 mil milhões de dólares, cerca de 36% abaixo dos níveis de despesa recentes.
“Isso é o que podemos chamar de negociação séria, justa e disciplinada”, disse Chris Klomp, vice-administrador do CMS.
Trump pressiona e fecha acordos diretos com farmacêuticas
Além do impacto do IRA, Trump também tem trabalhado para reduzir preços em acordos diretos com empresas.
Este mês, por exemplo, anunciou acordos com a Novo Nordisk e a Eli Lilly para reduzir o custo dos medicamentos contra a obesidade para os beneficiários do Medicare e do Medicaid a partir de 2026.
Espera-se que as doses iniciais de Wegovy e Zepbound caiam para US$ 350 e depois para US$ 245 em um prazo de dois anos.
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A previsão é que a queda no preço seja parcialmente compensada pelo aumento significativo no volume de vendas.
Além disso, a Novo Nordisk anunciou reduções de preços de Ozempic e Wegovy para compras diretas ao consumidor, após pressão do governo.
Pfizer, AstraZeneca e outras empresas também fecharam acordos semelhantes.
Alta exposição aumenta a vulnerabilidade
Os três maiores países europeus têm uma parte significativa das suas receitas dependente dos EUA:
- Novo Nordisk: 56% das vendas no mercado americano
- AstraZeneca: 42%
- GSK: 52%
O novo ambiente regulatório aumenta o risco para o setor e já está impulsionando movimentos estratégicos, tais como:
- realocação de investimentos nos EUA para evitar tarifas,
- adição de linhas de produção no país,
- e até a nova listagem da AstraZeneca na Bolsa de Valores de Nova York, ampliando o acesso ao mercado financeiro local.
A Novo Nordisk citou mesmo a dificuldade de adaptação às mudanças nos EUA como uma das razões para as recentes mudanças de liderança.
O comércio do IRA preocupa menos do que a política de Trump
Segundo analistas do Barclays, o processo IRA está se tornando mais previsível e compreensível para o mercado.
A maior preocupação agora é o alcance da política da “Nação Mais Favorecida”, que poderá forçar reduções ainda mais profundas nos preços nos EUA.
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